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Seis meses!!

por Pineapple com açúcar, em 29.07.16

Seis meses, meio ano!!

Seis meses de sorrisos tão puros, de um escalar de um amor tão verdadeiro, seis meses de copo tão cheio, de coração tão grande, de tudo.

Descobrimos o nosso tudo... Ele é o nosso tudo.

 

Já rebola e vira-se de barriga para baixo.

Come o seu próprio pé.

Tem uma forte predileção por etiquetas.

Dorme de lado. 

O primeiro dente.

O primeiro rabo assado.

Mais uma viagem.

A saga do cócó perdura.

Palavras preferidas, patitata ta tita.

A sua maior característica, sorrir. Ri-se muito, a toda a hora e para toda a gente.

 

Corisco rapaz, que arrebatas qualquer coração... Tenho de lhe fazer um seguro antes que me apoquente!!

 

 

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Primeiro AMOR

por Pineapple com açúcar, em 26.04.16

A semana passada o Primeiro AMOR veio cá a casa para uma sessão fotográfica em família. 

 

Fico sempre em pulgas quando nos encontramos, primeiro porque é a minha princesa, minha afilhada e depois porque adoro o trabalho dela.

 

Desde pequenina que adoro que me tirem fotos, exibicionista de primeira. 

 

Andava sempre atrás do meu tio a pedir-lhe que me tirasse assim e assado, tinha o sonho de ficar como nas revistas, e ele tirava, com toda a sua paciência tirava como eu pedia.

 

Esta sou eu com a pose mais do que estudada... Devia ter uns sete anos e era assim, manienta, com a cabeça nas misses e nos Onda Choc. 

 

Sonhava e sonhava e sonhava e era tão bom!! 

 

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Mais tarde atravessou-se o pai Pineapple na minha vida. Ele que adorava tirar fotos e eu que adorava que me tirassem... Nas viagens cansava-o e canso para tirar a foto perfeita.

 

Ele enumera-me os sorrisos e as poses sempre que vejo uma câmara por perto. Ao contrário de mim ele odeia que o tirem fotos.

 

 

Agora atravessa-se o Primeiro AMOR e que felicidade é ter um Primeiro AMOR.

 

 

Consegue tirar as fotos perfeitas, dá asas à minha imaginação e ainda consegue captar o pai e o Little Pineapple. 

 

Deixo-vos um cheirinho da sessão...

 

 

 

 

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O Nascimento

por Pineapple com açúcar, em 25.04.16

Quando me vieram ver já estava a amanhecer.

 

"Bom dia. Então como se sente?"

 

Eu estava bem, mas já começava a sentir novamente as contrações, nada que se compare com a dor de quando dei entrada, mas como o momento da expulsão já se encontrava próximo, achei por bem avisar que já começava a sentir o downstairs.

 

"Não tem problema, vamos já dar um reforço da epidural."

 

Entretanto, a enfermeira super mega querida, que apesar de não estar fisicamente bem disposta foi um amor connosco, veio ver a quantas andávamos nós.

 

"Muito bem, já estamos com 8 cm de dilatação, para um primeiro filho está a correr tudo muito bem."

 

Até poderia ser mentira, poderia estar a ter um trabalho de parto lento, estar nervosa etc etc, mas ao ouvir estas palavras uma pessoa relaxa, tranquiliza-se, não entra em stress, em estados de ansiedade desmesurados e facilita-lhes o trabalho. 

 

Ainda por cima sentia que estava com sorte na equipa que me estava a atender. Via-se que tinham todos uma boa noite de sono em cima e um bom pequeno almoço na barriga.

 

Estavam bem dispostas, alegres e prestáveis e nem me lembro se tinham "suera" vestida ou não.

 

" Já conseguimos ver a cabecinha e lá para as oito e meia o João Maria já está cá fora."

 

Que bom, já estava quase.

 

De um momento para o outro o meu corpo começou a tremer desmesuradamente e não era frio porque estava com uns calores pelo corpo todo.

 

O pai que já tinha entrado em modo nervo miúdo dizia-me:

 

" Pára de tremer!!"

 

 "Achas mesmo que neste momento tenho controlo em alguma

coisa?!? 

 

Achas que eu ando a tremer só porque me apetece, à laia de peta?? 

 

Olha eu a tremer... Mentiraaaa, não estou. Oh eu a tremer outra vez. Ahaha, apanhado, não estou. Oh outra vez...brincadeirinha, não estou.

 

Não levas um beliscão aqui mesmo porque estou a reservar as minhas energias todas para o nascimento da criança, entendes??

 

Faz um esforço para não me enervares, vá lá. Pronto dá cá um beijinho, vá."

 

Estava na hora!! 

 

Lá para as 10 da manhã já deveria conhecer o meu bébé e a minha vida nunca mais seria igual.

 

Lembro-me que quando saí de casa parei por breves segundos à porta e ao olhar para ela pensei que a próxima vez que entrasse em casa teria um bébé nos braços e uma vida totalmente nova.

 

Lá fomos nós para a sala de partos. 

 

Para além dos tremores e da vontade de lançar o Gregory, estava bem, calma e a achar que o pior tinha passado, tudo porque as minhas amigas que tinham tido bébés um mês antes tinham dito que fizeram duas ou três forcinhas e pronto nasceram as crianças.

 

Comigo não haveria de ser muito diferente. Mas, foi.

 

Tudo a postos, duas enfermeiras, uma auxiliar, uma médica interna, um médico de óculos sentado, um pai com uma máquina fotográfica, uma go pro, um iPhone e uma carrada de nervos miudinhos. Esta é a imagem que tenho, não sei se é a verdadeira, mas é a que tenho.

 

 A enfermeira parteira pediu para fazer força. 

 

" Sim senhora." 

 

Fiz uma, fiz duas, fiz três...

 

" Não querida, mais força."

 

Mais???

 

Mais uma, mais duas, mais três.

 

" Querida, assim não chega. Não sente vontade de fazer força?"

 

" Não. Não sinto nada..."

 

E eu a fazer foooooooooorça sem sentir naaaaaaaada. Mais fooooooooorça sem continuar a sentir naaaaaada. Até que comecei a ver umas luzes brancas, tipo flashes.

 

 

Oh, luzes, sanefas de natal, gingó bells gingó bells.

 

Espera, acho que não é suposto ver isso e muito menos sentir uns formigueiros na cabeça.

 

"Senhoooora acho que vou desmaiar."

 

" Querida, é normal é normal, vá faça força. Tem de ser agora ou nunca." Em tom de "isto não é brincadeira".

 

A parteira pediu à outra enfermeira que desse uma ajuda. Ora a ajuda era nada mais nada menos que utilizar o peso do seu corpo sobre a minha barriga fazendo com que a criança descesse.

 

Não é pêra doce não, aliás é grotesco e nao estava a conseguir consentir aquela força toda em cima de mim. Só lhe pedia que parasse.

 

A sensação que tive foi que de um momento para o outro as expressões de toda a gente que estava na sala tinham-se alterado para " hi, isso tá lindo aqui. Belo trabalho tá aqui feito."

 

Foi aqui que eu pensei  "Ai, que é agora que me fino. Eu ou o rapaz ou os dois passamos desta para melhor." 

 

E pronto, veio uma força não sei de onde e ele nasceu.

 

Finalmente conheci-o, finalmente!!

 

Qualquer expectativa, qualquer pensamento, desejo ou sonho foi imediatamente superado.

 

Tudo o que não senti na gravidez senti naquele momento, no momento em que o puseram em cima de mim.

 

Apaixonei-me mil vezes num segundo.

 

Senti uma empatia imediata, uma vontade de o abraçar e nunca mais o largar.

 

Não conseguia acreditar que ele tinha estado na minha barriga durante 9 meses.

 

Nasceu com uns olhos enormes, com umas olheiras enormes e ficou a olhar para mim muito atento e calmo. Parecia que estava a ser avaliada, que me estudava os traços. Nem sei se conseguem ver alguma coisa, mas ele ficou ali quieto de olho muito arregalado a fazer beicinho.

 

Que momento!!!

 

Mais tarde senti uma culpa enorme por não ter gostado se estar grávida.

 

Como é que era possível não gostar de ter uma coisa tão mega maravilhosa dentro de mim, como?

 

Sentia uma culpa avassaladora porque não havia lugar mais seguro no mundo do que a minha barriga.

 

Agora havia um mundo todo a absorvê-lo um mundo onde eu não iria conseguir protegê-lo a cem por cento.

 

Ele já não era meu, era do mundo.

 

Que culpa... Ainda hoje quando penso nisso vêm me as lágrimas aos olhos.

 

Parei de tremer mas não consegui evitar o Gregory... Ups, desculpem senhoras, mas acho que não estava muito bem disposta. Ai muito se passa para se ter um filho.

 

O pai?

 

Tinha a certeza que o pai estava do meu lado esquerdo no momento da expulsão. Mas, quando olhei já não estava.

 

Olhei para todos na sala e estavam todos com ar calmo e sereno o que me fez depreender que o homem tinha simplesmente desaparecido e não ter dado um piripaque que o fizesse cair inanimado no chão.

 

Eu só pensei, " ai que pelintra, o rapaz nem 5 min de vida tem e já me desapareceu. Num instante foi comprar tabaco para nunca mais voltar."

 

Em menos de um minuto apareceu-me ele com duas bolas vermelhas no lugar dos olhos.

 

"Então homem onde estavas?"

 

"Fui ali para aquele canto chorar. Isto é muita emoção, é surreal. Eu preciso de ir lá  fora chorar o resto. Tenho muita coisa para por para fora."

 

Que pai fofo!!

 

 

Levaram o Little Pineapple para se vestir, pesar e medir.

 

 

Neste arraial todo em que estava anestesiada com tanta alegria, completamente alienada do que me rodeava, concentrada nele, naquela nica de gente, não dei conta que quem andava a terminar o serviço era a interna. 

 

Quando "botei" sentido é que ouvi a parteira a dar indicações de faz assim, faz assado. 

 

Levaram-me meia hora para quatro pontinhos, não senti rigorosamente nada. Nada.

 

Mas quando olhei para o relógio e vi o tempo a passar deduzi que me estivessem a fazer um tapete de arraiolos lá em baixo. Nem pensar que ia para exposição!!

 

De seguida oiço a auxiliar:

 

"Menina faltam os sapatinhos."

 

"Sapatinhos?"

 

"Sim, os sapatinhos para pôr por cima do fatinho, aqueles de lã. Não me diga que não trouxe os sapatinhos?!"

 

Sapatos, mas o rapaz não anda!! Tá lindo, o rapaz nem uma hora de vida tem e eu já ando a pôr o pé na argola.

 

" Ahhh os sapatos!! Ai com as pressas esqueci-me deles em casa."

 

Mentira... 

 

E pronto lá estava eu com um filho nos braços sem sapatos, mas super feliz. Tinha tudo corrido bem e ele estava cheio de saúde.

 

Que alegria, que alegria!!!

 

 

 

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O parto

por Pineapple com açúcar, em 14.04.16

Antes que recalque tudo, tenho de vos contar de como foi este maravilhoso acto de dar à luz.

 

Eu estava com umas cagunfas que nem vos conto, até porque as grávidas que conhecia já tinham todas os seus bébés nos braços, e eu era a única a ter pesadelos em fazer sair um ser de dentro de mim. Eu tinha, eu tive, um ser dentro de mim. Como é que isso é possível, como?!?

 

Das mil e uma discrições de partos e acreditem foram muitas, nenhum foi igual ao meu.

 

 

Há qualquer coisa neste dia que faz com que as mulheres mal apanham uma em vias de dar à luz, desbobinam, desbobinam, desbobinam todos os pormenores do seu dia de parto. Aliás, eu consigo me lembrar de mais detalhes de alguns partos de conhecidas minhas, por ouvir mil e quinhentas vezes, do que do meu.

 

Li a algures que as mulheres têm uma grande necessidade de falar sobre isso por ser uma experiência traumática e que o desbobinar é de certa forma uma terapia.

 

Falaram-me tanta vez no rolhão mucoso e no rompimento das águas que fiquei a espera deles para poder ir para o hospital...Nada disso.

 

O dia foi um dia estranho, dormi à tarde e sentia-me abatida e com umas dores um pouco estranhas, pensava que deveria estar a desenvolver alguma infecção urinária. 

 

Já estava de 38 semanas, mas não conseguia associar aquela indisposição ao trabalho de parto.

 

Acordei da minha sesta e de um momento para o outro comecei a sentir umas dores que pareciam cólicas, fiquei ainda a tentar decifrar se aquilo eram as famosas contrações até que... Mother fucker, son of a bitch, puta kio pari, Oh god... Esta merda dói. 

 

Desde que as senti de forma suave até à agressividade da coisa, deu tempo de tomar banho, vestir pijamas, pensava que ainda ia dar para dormir qualquer coisinha, preparar a mala com as últimas coisitas... E ainda deu para tirar umas últimas fotos de barrigona.

 

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Até que de um momento para o outro as contrações estavam exactamente cronometradas de dez em dez minutos. 

 

Quando disse que achava que estava a ter contrações o pai da criança já estava de pijamas deitado no sofá e disse:

 

" A sério?!? Eishh logo hoje que não dava jeito nenhum."

 

E eu disse:

 

"Oh homem não seja por isso, acho que tenho aqui o contacto da senhora Contração, que é 91 e tudo, ligo-lhe a dizer que aconteceu um imprevisto, que hoje não dava lá muito jeito. Mando beijinhos para a família e tudo."

 

O caso mudou de figura quando o pai viu que aquilo estava mesmo mesmo acontecer e quando passei a ter as contrações de cinco em cinco, já gritava para me despachar como se conseguisses tornar-te numa Rosa Mota com aquelas putas dores.

 

O meu medo era chegar ao hospital e não ter tempo para levar a "pendural". Não faço parte daquela quota de mulheres que querem o parto mais natural possível. Eu queria as drogas todas a que eu tinha direito e se pudesse tinha adquirido mesmo as ilícitas.

 

 

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Cheguei ao hospital à uma da manhã. Não estava a pensar em nada, em papéis, documentos, nada. Estava concentrada em controlar as putas dores, em fazer as famosas respirações. 

 

O pai foi impedido de entrar.

 

Quando entrei, estava tudo às escuras e vi ao fundo uma senhora de casaco de malha pelos ombros, a famosa "suéra" e as mãozinhas enroscadinhas com ar de quem saiu de um sofá quentinho, fazendo com a cabeça aquele acto de " Diga" sem esboçar uma palavra. 

 

Se eu estivesse mais sã, e a pensar como deve de ser tinha respondido.

 

"Wooo, eh mulher tudo bem?!?

Vinha saber se me queriam comprar umas rifas para ajudar o centro paroquial dos remédios. Acabou-se o Coração de Ouro e a Regra do Jogo e lembrei-me que vocês podiam estar à uma da manhã sem fazer nada no hospital!!!"

 

Mas, não, não consegui exercer esta chalaça é só disse:

 

 "Senhora, acho que estou em trabalho de parto." 

 

Com ar e em tom de, por favor, ajudem-me, estou nas vossas mãos e acho que vou passar desta para melhor nos próximos minutos.

 

Encaminhou-me para o quarto e preparou-me o CTG.

 

" Senhora pode esperar um bocadinho?? Estou a ter uma contração.

Não querida, temos de nos despachar."

 

Ah, ok, têm de se despachar para fazer aquela tarefa tão árdua chamada, fazer nenhum, visto estarem com o serviço a abarrotar. Sublinha-se que era a única no serviço, mas ela tinha de se despachar. 

 

Já estava com três centímetros. A senhora enfermeira disse para a outra que teria de ficar lá internada e eu só pensava:

 

O que?? Estavam a pensar em mandar-me embora, euuuuuu?!?!

 

É que nem de guindaste me tiravam dali com aquelas dores. Virava cachalote e fazia um arrojamento ali mesmo sem qualquer hipótese de me mandar embora.

 

( continua...)

 

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